Sistema narrativo do curso
Como cada capítulo é arquitetado
Esta página documenta o sistema visual e narrativo do curso. Inspirado em três tradições: o Operations Room do Cybersyn (Bonsiepe/INTEC, Chile, 1972), as explorable explanations de Bret Victor e Nicky Case, e a tradição poética de Stafford Beer (“Tigers at play”). Quem escreve um capítulo novo, ou expande um existente, segue este padrão.
Os sete blocos canônicos de cada capítulo
Cada capítulo do curso, na ordem em que é lido, tem sete blocos:
- Painel Opsroom (3 botões) — Semana N de 24 · Fase X · Tempo de leitura
- Cena — abertura narrativa de 1–4 parágrafos com Joana, Juliana ou Luiz Eduardo enfrentando um problema concreto que será iluminado pelo conceito
- Em palavras simples — tradução do conceito principal para alguém de 10 anos ou para a avó. Sem fórmulas. Fidedigno mas operacional.
- A pergunta operacional + Cards de conceito — entrada formal, com 4 cards de conceitos-chave em painel modular
- Formalização técnica — densa, com LaTeX, sem manualese
- Voz dos personagens — pequeno diálogo entre Joana, Juliana e Luiz Eduardo discutindo o conceito sob seus três ângulos (governança, ficção, técnica)
- Pergunta de verificação + Próxima parada — exercício único bem desenhado + CTA visual para o próximo capítulo
A tradição visual
Cybersyn Operations Room (1972)
O Opsroom de Stafford Beer e Gui Bonsiepe — sete cadeiras hexagonais brancas com almofadas laranja, painéis de controle em torno, madeira escura, painéis modulares — é a referência visual primária. O curso herda:
- Paleta: laranja-queimado (Cybersyn), ocre, azul-petróleo, bone, com adições do cerrado tocantinense (azul-rio do Formoso, verde-cerrado).
- Painéis modulares: cada conceito vira um “painel” no card. O leitor monta seu próprio Opsroom interno conforme avança.
- Botões grandes laranja:
.painel-opsroom .botaono topo de cada capítulo, evocando os controles físicos das cadeiras. - Hexágonos discretos: divisores
.hex-divisorentre seções, homenagem à geometria da sala original. - Tipografia editorial: Source Serif Pro para corpo (leitura longa), Space Grotesk para headings (display, herança HfG Ulm), Inter para UI, JuliaMono para código/LaTeX.
Explorable explanations (Victor 2011, Case 2017)
Bret Victor argumentou que leitores aprendem mais quando são “leitores ativos” — quando podem manipular o material e ver consequências. Nicky Case operacionalizou isso em séries como Parable of the Polygons. O curso herda:
- Active reading: cada conceito tem cards ao lado da prosa, permitindo dois caminhos de entrada.
- Diálogo dos personagens: o leitor não é forçado a uma única voz autoritativa; ouve três perspectivas e escolhe.
- Em palavras simples: o “explicar para a avó” é uma forma de prefab simulation — o leitor primeiro intui antes de calcular.
- Sem fail states: nenhum exercício é “errado”. A pergunta de verificação é convite, não checkpoint.
Stafford Beer poeta
Beer publicou Transit; Poems em 1977 e expôs pinturas em Liverpool. A frase “Tigers at play” — leveza dentro do rigor — é a vibe que tentamos manter. O curso é matemático mas:
- A cena de abertura privilegia a vivência sobre a fórmula.
- O diálogo dos personagens admite humor e imperfeição.
- Os hexágonos decorativos não são funcionais — são jogo.
- O CTA “Próxima parada” usa linguagem de jornada, não de currículo.
Os três personagens
Cada um tem voz, ícone e cor próprios:
Joana Beraldo — doutoranda ficcional, cotutela UNITINS-UNIFAL. Fala da vivência institucional: o que ela vê no polo UAB, o que mede, o que pergunta antes de saber. Verde-cerrado.
Juliana Mariano Alves — real, UNITINS, ASC Member-at-Large, Diretório Metaphorum. Fala da governança: o que está em jogo institucionalmente, qual o paralelo com BHRF, qual o standard de qualidade. Azul-rio.
Luiz Eduardo da Silva — real, UNIFAL-MG. Fala da técnica: como o conceito aparece em PDI, em pixel, em algoritmo. Como os mesmos sinais matemáticos vivem em outro vocabulário. Laranja-queimado.
A cena de abertura do capítulo é narrada por um dos três (não os três simultaneamente). Quem narra cada cena depende de qual lado do conceito é mais palpável:
| Tipo de conceito | Narrador da cena |
|---|---|
| Comportamento agregado (turmas, evasão, calendários) | Joana |
| Diagnóstico institucional, governança, recursão VSM | Juliana |
| Algoritmo, sinal, transformação técnica | Luiz Eduardo |
A “voz dos personagens” no penúltimo bloco do capítulo, em contraste, traz os três juntos em diálogo curto.
Em palavras simples — a regra
A seção :::{.simples} traduz o conceito-mãe do capítulo para alguém de 10 anos ou a avó. Três regras:
- Sem fórmulas. Nenhuma. Se aparecer um símbolo, falhou.
- Uma metáfora concreta, do cotidiano. Caixa d’água, panela no fogo, fila do supermercado, jogo da velha — algo físico.
- Termina com uma ponte: “A matemática só formaliza isso.” A função é dizer ao leitor você já entendeu o essencial; agora vamos só nomear.
Não é resumo. É anchor cognitivo. O leitor pode voltar a ele quando se perder no formalismo.
Cards de conceito — a regra
.cards-conceito aparece uma vez por capítulo, depois da pergunta operacional, antes da formalização. Três a cinco cards. Cada um:
- Título curto (≤ 3 palavras), em maiúsculas.
- Explicação em 1–2 frases.
- Quando possível, uma fórmula curta entre
<span class="formula">(renderiza monoespaçado, fundo ocre claro).
Não é redundância com a prosa: é índice visual. O leitor que escaneia primeiro os cards e depois decide onde aprofundar tem outra entrada para o conteúdo.
Painel Opsroom — a regra
.painel-opsroom no topo absoluto do capítulo, antes da cena. Três botões fixos:
- Semana: “N de 24”
- Fase: nome curto da fase
- Tempo: estimativa de leitura
O botão “ativo” (atual) ganha background laranja-queimado e borda ocre. Os outros são azul-petróleo. Visualmente espelha as cadeiras do Opsroom — controle e localização imediatos.
Hex-divisor
Três hexágonos pequenos centralizados, em cores da paleta. Uma vez por capítulo, no máximo, antes da pergunta de verificação. É pausa visual, não decoração — sinaliza que o ferramental técnico foi entregue e o capítulo agora pede aplicação.
Próxima parada — a regra
.proximo-passo no fim de cada capítulo. Texto curto, CTA em laranja apontando para o capítulo seguinte. Linguagem de jornada: “Próxima parada”, “Continuar”, “Avançar”. Não “Capítulo seguinte” nem “Próximo módulo”. O curso é caminho, não currículo.
Quando aplicar a outro capítulo
O F1-01 (Fluxos em uma dimensão) é o protótipo completo. Outros capítulos foram redigidos antes desta arquitetura existir e estão em prosa densa sem os blocos canônicos.
Para aplicar a um capítulo existente:
- Criar a cena de abertura escolhendo o narrador apropriado.
- Criar o em palavras simples com metáfora concreta.
- Inserir o painel Opsroom com os 3 botões.
- Quebrar a prosa formal em cards de conceito onde fizer sentido (mantém a prosa também).
- Adicionar voz dos personagens com 3 falas curtas.
- Encerrar com hex-divisor + próxima parada.
Cada migração é trabalho de ~20–40 minutos para um capítulo de 700 palavras. Ordem sugerida: F4-01 (âncora final), F1-02 (continuação imediata da Semana 1), F4-02 (BHRF), depois os 15 restantes.
Por que não é Moodle
Moodle entrega informação. Este sistema entrega uma experiência de pensamento acontecendo. A diferença está em três escolhas:
- A vivência precede a fórmula (cena → palavras simples → formalização).
- A voz nunca é única (Joana, Juliana, Luiz Eduardo, mais o leitor).
- A travessia é arquitetada (painéis, hexágonos, cards, próxima parada — o leitor sente onde está).
O ideal é que o(a) leitor(a), depois do curso, lembre menos das fórmulas e mais das cenas — e que as fórmulas voltem como ferramentas quando uma cena análoga aparece na vida dele(a).