Personagem narrativo — Joana Beraldo

A linha ficcional que costura o curso

Nota

Este documento apresenta a persona ficcional que dá unidade narrativa ao curso. Toda menção a “trabalho do aluno”, “projeto de pesquisa”, “aplicação própria”, “diagnóstico final” remete à pesquisa hipotética da Joana. Quem lê o curso pode (i) seguir Joana como caso, (ii) substituir por seu próprio caso, ou (iii) usar Joana como contraprova-andaime quando o próprio caso ainda não está claro.

A pesquisa-cenário

Joana Beraldo é doutoranda em Educação em cotutela entre a Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS, Palmas) e a Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG, Alfenas). Sua tese investiga a viabilidade de programas de graduação na rede pública brasileira sob a perspectiva da cibernética organizacional, comparando dois sistemas-caso situados em pontas opostas do território nacional, com geografias e arquiteturas pedagógicas radicalmente distintas.

Caso A — UNITINS, Palmas (Tocantins)

Universidade estadual do Tocantins, fundada em 1990, com trajetória institucional turbulenta — passou por reestruturação em 2003 com cessão de patrimônio à UFT, retomou cursos presenciais em 2010, voltou ao status de autarquia estadual em 2016. Hoje opera 21 cursos de graduação em cinco câmpus físicos (Palmas, Araguatins, Augustinópolis, Dianópolis, Paraíso do Tocantins) e ampla oferta EaD via Universidade Aberta do Brasil (UAB), com nota máxima do MEC no recredenciamento EaD.

Variedade dominante (em termos de Ashby): a \(H(D)\) — heterogeneidade demográfica e geográfica do alunado de Tocantins, conectividade desigual entre polos, sazonalidade rural. Profa. Dra. Juliana Mariano Alves atua na UNITINS no programa de Engenharia Agronômica (Palmas), com doutorado em Desenvolvimento Regional pela UFT (2022). É a referência teórica que importa o aparato VSM para o diagnóstico desse sistema. O caso de governança hídrica da Bacia do Formoso, que ela estudou em sua tese, oferece a Joana o paralelo institucional: como uma bacia hidrográfica é a uma rede educacional regional, mantidas as devidas distâncias.

Inserção internacional de Juliana e por que importa para o curso. Em janeiro de 2024 Juliana iniciou mandato como Member-at-Large da American Society for Cybernetics (ASC) representando o Sul Global, eleita pelos 200+ membros após avaliação detalhada da relevância acadêmica e ética profissional. Em junho de 2024 apresentou no ASC 2024 (60th Anniversary, Washington DC, 15–19 jun) a palestra “The Water-Energy-Food Nexus: an integrative lens on a fragmented landscape”, com bolsa de viagem da própria ASC, dividindo programa com Paul Pangaro (Carnegie Mellon, presidente do congresso), Claudia Westermann (vice-presidente ASC) e Raul Espejo (recipiente da Norbert Wiener Medal naquela edição). Em 2023 foi eleita ao Diretório do Metaphorum (UK), comunidade de prática focada na obra de Stafford Beer, e palestrou no Metaphorum 2025. Publica em Constructivist Foundations (Alves, 2025). Para a pesquisa de Joana, isso significa que a interlocutora da trilha governança não é figura local de Tocantins — é nó ativo da rede internacional de cibernética organizacional com base institucional em Palmas-TO, posição rara que torna o caso BHRF defensável como exemplar internacional.

Caso B — UNIFAL-MG, Alfenas (Minas Gerais)

Universidade federal mineira, fundada em 1914 como Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas, federalizada em 1960 e transformada em universidade plena em 2005. Hoje opera quatro câmpus (Alfenas-Sede, Alfenas-Santa Clara, Poços de Caldas, Varginha) com mais de trinta cursos de graduação. Tradicionalmente forte em saúde e biológicas; o curso de Ciência da Computação mantém um laboratório de Processamento Digital de Imagens onde Prof. Luiz Eduardo da Silva desenvolve seu livro-texto interativo (Silva; Silveira, 2026) em parceria com Tiago Silveira.

Variedade dominante: a \(H(R)\) — alta capacidade técnica concentrada em um campus físico compacto, infraestrutura laboratorial estável, tradição cinquentenária consolidada. O contraste com UNITINS é deliberado: dois sistemas viáveis com a mesma função-fim (formar profissionais públicos competentes) e arquiteturas opostas (rede dispersa de baixa-banda em larga geografia vs. campus compacto de alta-banda em geografia restrita).

Ponto de contato real entre Luiz Eduardo e o ecossistema EaD brasileiro: Luiz Eduardo atua como representante substituto da UNIFAL-MG na UniRede (Associação Universidade em Rede), o consórcio fundado em 1999 que organiza o ESUD — Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância (e desde 2015 o CIESUD internacional). Foi o primeiro docente do curso de Ciência da Computação da UNIFAL-MG e palestrante de abertura da 5ª SACIC (2016, 10 anos do BCC). É via essa representação UniRede, e não via coordenação formal de EaD (atualmente do Prof. Gabriel Hornink no CEAD-UNIFAL), que a pesquisa de Joana encontra interlocutor natural com Luiz Eduardo no ecossistema institucional EaD.

A pergunta-fim

Joana pergunta: a rede educacional pública brasileira — composta pelas universidades estaduais, federais, IFs, UAB e MEC — pode ser modelada como sistema viável de recursão maior, em que cada universidade é um S1, a UAB e o MEC operam como S2/S3, e a Rede Federal de Educação Profissional como S4? Onde estão os atrasos, as oscilações e os atratores estranhos da evasão?

A tese é estruturada em três escalas:

  1. Escala micro (cada capítulo do curso): um indicador concreto — taxa de aprovação em Cálculo I, padrão de uso da biblioteca digital, distribuição de notas em uma disciplina-marco — analisado com o ferramental matemático da fase corrente.
  2. Escala meso (por fase): uma coordenação de curso vista como sistema viável; aqui a Fase 4 entrega o diagnóstico VSM da coordenação escolhida.
  3. Escala macro (síntese final): a rede educacional pública como sistema viável de recursão maior; aqui Joana entrega a comunicação ao colegiado interinstitucional.

Indicadores fictícios concretos do curso

São os exemplos canônicos que substituem, ao longo das cartas e memorandos, o “indicador institucional do Estado brasileiro” da entrega original:

Indicador Fase relevante Conceito que ilumina
Taxa de evasão semestral por curso Sterman (estoque-fluxo) \(dS/dt = \phi_{in} - \phi_{out}\)
Tempo médio até integralização Markov (tempo de mistura) \(t_{mix}(\varepsilon)\)
Distribuição de notas em Cálculo I Strogatz/PDI (Otsu) bifurcação no histograma
Cadeia de tópicos visitados na biblioteca digital Markov matriz \(P\), \(\pi P = \pi\)
Polos UAB ativos vs. inativos Strogatz (pontos fixos) \(f'(x^*)<0\)
Taxa de aprovação EaD vs. presencial Sterman (validação) testes comportamentais
Sensibilidade da taxa de conclusão a perturbações iniciais Strogatz (caos) expoente de Lyapunov sobre coorte
Carga de trabalho docente como sistema dinâmico em 2D Strogatz (fluxos 2D) retrato de fase

O arco da pesquisa: observação → diagnóstico → intervenção

A tese de Joana não termina no diagnóstico VSM. A trajetória das 24 semanas é desenhada para que ela passe por três posições sucessivas:

  1. Observadora (Semanas 1–11): aplica o aparato matemático aos dados das duas universidades. Identifica padrões, pontos fixos, ciclos institucionais, regimes de oscilação. Não intervém — observa.
  2. Diagnóstica (Semanas 12–19): aplica VSM em recursão tripla a coordenações de curso UAB-UNITINS e UNIFAL-MG. Identifica nominalmente quais funções (S2, S4) estão tipicamente ausentes em redes públicas brasileiras. Posiciona-se como crítica institucional informada — sem ainda intervir em instituição real.
  3. Interventora-consultora (Semanas 20–24): em março de 2026, é convidada a atuar como consultora do desenho institucional do IDEA — Instituto de Diagnóstico Estratégico Aplicado, think tank fictício em fundação, paralelo ao INEP. A intervenção concreta não é em instituição existente, mas no ato de fundar uma organização nova, usando o aparato cibernético como arquitetura desde o primeiro dia.

A escolha pedagógica é deliberada: aplicar VSM a uma organização que se está construindo (IDEA fictício) tem risco institucional zero, isola o método de complicações políticas, e mostra o aparato em ato. Diferente de propor intervenção em coordenação UAB real — exercício que sobrecarregaria a tese com fricção que não ilumina o método. O modelo de intervenção é o ESyN2030 (Leonard et al., 2021) — adaptação online do protocolo de Team Syntegrity de Beer (1994).

A intervenção que Joana conduz é, portanto, uma sintegração-piloto de fundação do IDEA, formato ESyN2030. Trinta participantes (oito acadêmicos, seis gestores públicos, cinco da sociedade civil, três do setor privado, quatro internacionais, dois estudantes, dois docentes), distribuídos em doze times de cinco segundo o icosaedro de Beer. Cinco dias online. Pergunta-âncora: “Que organização precisa existir para diagnosticar viabilidade institucional de redes educacionais públicas brasileiras, e como ela começa?”

Juliana, no Diretório do Metaphorum desde 2023 e participante de sintegrações, é co-facilitadora natural. A saída são os 12 statements of importance que definem identidade, operação, antioscilação, alocação, inteligência, sustentabilidade, independência, impacto, replicabilidade, diversidade epistêmica, relação com INEP e plano inicial — emergentes da reverberação do grupo, não impostos pelos fundadores.

A tese deixa de ser “diagnóstico VSM” e vira diagnóstico cibernético + ato fundacional documentado. É a postura modelagem-como-regulação de Alves; Schwaninger (2025) levada à última consequência: não basta o modelo correto, precisa do dispositivo institucional que o opera — e, melhor ainda, organização desenhada com VSM desde o nascimento.

Detalhes do think tank fictício em IDEA. Detalhes do protocolo em Sintegração como dispositivo de intervenção.

O destino externo da pesquisa: ASC 2026, Ouro Preto

A trajetória de Joana tem um marco externo definido: a ASC 2026 — Confluências Conversacionais, conferência da American Society for Cybernetics em Ouro Preto-MG, 3 a 7 de agosto de 2026 (American Society for Cybernetics, 2026). É a primeira ASC realizada no Brasil. Juliana, como Member-at-Large pelo Sul Global desde janeiro de 2024, está no comitê.

Joana pretende submeter trabalho à sessão “Confluências Viáveis: Stafford Beer e América Latina”, organizada pelo Metaphorum, que inclui demonstração de Syntegration. A submissão tem dois tempos:

  1. Paper longo com o relato da sintegração-piloto de fundação do IDEA, posicionando-a como exemplo de fundação cibernética de organização e contribuição metodológica para o Sul Global.
  2. Pôster colaborativo redigido com Juliana, registrando os 12 statements of importance produzidos pela sintegração e o plano de ação inicial do IDEA — caso a sintegração ocorra antes de agosto/2026 (cronograma viável: junho/2026 sintegração, julho análise, agosto apresentação na ASC).

Outras sessões da ASC 2026 que dialogam com a tese:

  • Cartografias em Disputa — mapeamento como prática recursiva. Joana pode contribuir com os mapas geobr/aopdata como cartografia institucional reflexiva da rede educacional pública brasileira, insumo para o IDEA.
  • Confluência Conversacional — epistemologias operativas e segunda ordem. A sintegração-piloto é, formalmente, uma operação de cibernética de segunda ordem sobre a fundação organizacional.
  • Confluências Emaranhadas — sabedoria indígena, teoria quântica, IA reflexiva. Diálogo possível: o IDEA, ao desenhar diversidade epistêmica como statement of importance, abre porta para epistemologias plurais no diagnóstico institucional brasileiro.

A ASC 2026 funciona como prazo externo durante toda a Semana 24: a tese de Joana se beneficia de ter um destino concreto, com referees competentes na própria área cibernética, em data fixa. Para o(a) leitor(a) que segue Joana como caso, a ASC 2026 é também alvo possível para versão própria da pesquisa.

Dica

A inscrição e o call for papers da ASC 2026 estão abertos via https://events.asc-cybernetics.org/2026/. A sessão “Confluências Viáveis” da Metaphorum é a porta de entrada natural para trabalhos de cibernética organizacional aplicada à América Latina.

O ferramental empírico de Joana

Joana não trabalha apenas com teoria. Cada conceito do curso pode ser testado contra dados reais via os pacotes do IPEA-GIT (R e Python, gratuitos):

  • geobr — limites espaciais oficiais (TO, MG, municípios, setores).
  • censobr — Censo IBGE em microdados (perfis demográficos de Augustinópolis, Alfenas).
  • aopdata + accessibility — Acesso a Oportunidades, com tempos de viagem e métricas formais de variedade \(H(D)\) educacional.
  • r5r — engine de routing multimodal.
  • geocodebr — geocoding de endereços.

Página dedicada: Dados reais para a pesquisa de Joana — mostra três experimentos de aquecimento (mapa do território, perfil comparado Augustinópolis-Alfenas, acessibilidade educacional) que cabem em uma tarde e geram material para o diagnóstico final (Semana 20).

A regra é: diagnóstico cibernético sem mapa é diagnóstico no escuro. O território vem antes do calendário acadêmico.

Convenção operacional

  • O slot “Para o projeto” que fecha cada carta-luiz-eduardo.qmd deve referenciar um destes indicadores ou outro coerente com a pesquisa de Joana, conectando o conceito do capítulo ao caso UNITINS, UNIFAL ou à comparação entre os dois.
  • O slot “Pergunta de pesquisa para o projeto” que fecha cada memorando-juliana.qmd faz o mesmo, mas pelo lado da governança institucional.
  • Quem lê este curso pode, a qualquer momento, substituir Joana pela própria persona — o aparato funciona idêntico. A persona-andaime serve apenas para que nenhum capítulo fique sem caso.
Dica

Joana é ficção. Juliana Mariano Alves (UNITINS) e Luiz Eduardo da Silva (UNIFAL-MG) são reais e suas obras são citáveis. A linha narrativa une as duas figuras reais em um terceiro personagem fictício que torna pedagogicamente viável estudá-las em paralelo.

Referências

ALVES, Juliana Mariano. Harnessing Variety Engineering for Management of Non-Trivial Systems. Constructivist Foundations, v. 20, n. 2, p. 124–127, 2025.
ALVES, Juliana Mariano; SCHWANINGER, Markus. Model-based Governance: A Cybernetic Approach to Water Allocation Control. Environmental Management, v. 75, p. 3344–3363, 2025.
AMERICAN SOCIETY FOR CYBERNETICS. Confluências Conversacionais — ASC 2026. Ouro Preto, MG, BrasilASC; https://events.asc-cybernetics.org/2026/, 2026.
BEER, Stafford. Beyond Dispute: The Invention of Team Syntegrity. [S.l.]: Wiley, 1994.
LEONARD, Allenna et al. ESyN2030: Online Syntegration Pilot. Metaphorum; https://metaphorum.org/projects/esyn2030-info-faq, 2021.
SILVA, Luiz Eduardo da; SILVEIRA, Tiago. Processamento Digital de Imagens. [S.l.]: Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), 2026.