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13 — PM-12: lei de escala intra-Rio (Bettencourt et al.)

Quarto produto do MVP-1. Adapta a metodologia de leis de escala urbanas (Bettencourt et al. 2010) e indicador ajustado por escala (SAMI; Heinrich Mora et al. 2023) do nível inter-cidade para o nível intra-Rio: cada bairro é um ponto, e perguntamos como o número de escolas escala com o número de matrículas.

Modelo:

escolas = A · matrículas^β

Interpretação canônica: - β = 1: alocação linear (1 escola por N alunos, constante) - β > 1: superlinear → bairros maiores têm desproporcionalmente mais escolas - β < 1: sublinear → bairros maiores têm desproporcionalmente menos escolas

Ajuste empírico (2011)

  • Bairros com matrícula + escolas IDEB participantes: 141

  • Intercepto A: 0.0084

  • Expoente β = 0.7679

  • R² = 0.797

Interpretação: β = 0.768 < 1 → alocação sublinear. Bairros maiores têm desproporcionalmente menos escolas por aluno. Em outras palavras, quanto maior o bairro em matrícula, pior sua razão escolas/matrícula. Isso é compatível com infra escolar consolidada décadas atrás (quando as zonas hoje populosas eram menos populosas) e não acompanhando o crescimento populacional municipal — efeito reportado no Brasil para várias capitais.

Visualizações

scatter

SAMI map

SAMI (Scaling Adjusted Indicator)

Para cada bairro:

SAMI = log(escolas_observadas) − log(escolas_previstas pela lei de escala)

SAMI > 0 → bairro tem mais escolas que o previsto pela sua matrícula. SAMI < 0 → bairro tem menos escolas que o previsto.

O mapa H3 acima mostra o SAMI distribuído pelo município. Bairros vermelhos são os candidatos prioritários para alocação adicional de escolas pública — não pela matrícula absoluta, mas pelo desvio relativo à curva de escala municipal.

Top 8 bairros com maior déficit relativo (SAMI mais negativo)

Bairro AP Matrículas Escolas SAMI
Itanhangá 4 4,776 1 -1.73
Complexo do Alemão 3 2,325 1 -1.18
Ricardo de Albuquerque 3 1,811 1 -0.99
São Conrado 2 1,668 1 -0.92
Vicente de Carvalho 3 1,385 1 -0.78
Maria da Graça 3 1,322 1 -0.74
Lins de Vasconcelos 3 3,188 2 -0.73
Bonsucesso 3 2,879 2 -0.65

Top 8 bairros com maior superávit relativo (SAMI mais positivo)

Bairro AP Matrículas Escolas SAMI
Barros Filho 3 90 1 +1.32
Cacuia 3 224 2 +1.31
Barra de Guaratiba 5 619 3 +0.94
Alto da Boa Vista 2 1,698 6 +0.85
Flamengo 2 760 3 +0.78
Santa Cruz 5 37,367 51 +0.62
Campo Grande 5 46,331 54 +0.51
Maré 3 15,506 23 +0.50

Caveats

  • Janela: só 2011. Único ano com matrícula por bairro e IDEB simultâneos. Replicação em 2013 fica como backlog (matrícula 2013 disponível; IDEB 2013 também).
  • 'Escolas' = Escolas Participantes do IDEB, não cadastro completo. Subestima em bairros cujas escolas não participam do IDEB (escolas novas, baixa amostra). Versão futura: cruzar com Feature Service 0a220ea7... (Escolas Municipais) para count completo via spatial join.
  • Comparação com Bettencourt et al. (2010) é metodológica, não numérica. Eles fitavam β a indicadores cross-cidade; aqui estamos intra-cidade. Os regimes de β esperados podem ser diferentes — nossa hipótese de β ≈ 1 vem da lógica de alocação INEP, não da literatura cross-city.
  • R² alto não implica modelo correto. Power law é um modelo simples; alternativas (piecewise linear, modelo com efeitos fixos por AP) ficam como robustez para v0.6.

Reprodutibilidade

python3 analysis/16_theil_weighted.py  # gera matriculas_bairros.csv
python3 analysis/20_pm_12.py           # este script

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