Tour de 5 minutos¶
Cinco painéis, cada um com um chart interativo. Tempo total de leitura: ~5 min. Ao final, link para o paper consolidado e para os 4 produtos.
1 O problema: granularidade de RA¶
Painéis municipais costumam reportar IDEB por Região Administrativa (RA, 33 unidades). A média da RA suaviza extremos. Em 2023, quase todas as RAs estão em IDEB ≥ 5.5 — parece que está tudo razoavelmente bem.
2 A descoberta: mesmo dado, mais fino¶
Mesmos números, mesma escala de cor — mas agora cada bairro herda o IDEB para sua célula H3. Bolsões vermelhos pulam aos olhos: bairros com IDEB < 5.5 dentro de RAs cuja média parece "ok".
A decomposição Theil-T (Theil, 1967) confirma que essa heterogeneidade é majoritária: 66% da desigualdade total do IDEB municipal está dentro das RAs, não entre.
3 Robustez em 3 direções¶
O achado não é artefato da escolha de indicador, da etapa escolar, ou de pesos arbitrários. Em 6 séries diferentes, a parcela within-RA fica entre 60% e 80%.
A linha pontilhada em 50% é a "paridade" — abaixo dela, a desigualdade between-RA dominaria. Nenhuma série a cruza.
4 Mecanismos estruturais¶
Dois sinais ortogonais explicam parte da heterogeneidade:
- Lei de escala (Bettencourt et al., 2010 — adaptado): infra de escolas escala com matrícula como
escolas = 0.008 · matrículas^0.77. Sublinear (β < 1) significa que bairros maiores têm desproporcionalmente menos escolas por aluno. - Trajetórias (Mare 1980 + Reardon & Owens 2014 — adaptado): em 768 pseudocoortes 5º→9º ano, a média do delta é −0.65 (87% das coortes pioram).
Os dois mecanismos apontam para a mesma direção: a infraestrutura municipal não acompanha a demanda nas zonas que mais precisam, e a qualidade educacional cai durante o ensino fundamental II nessas mesmas zonas.
5 Quem precisa mais¶
Cruzando os dois sinais (déficit de escola por SAMI + queda de IDEB por Δ FUN-Rio), os 15 bairros prioritários:
Confound importante
Bairros de Zona Sul (Humaitá, Leblon) aparecem nos primeiros lugares porque a sua coorte 5º→9º cai mais — provavelmente porque os alunos com mais recursos migram para escola privada no 6º ano, deixando o cohorte municipal do 9º enviesado para baixo. Não é o mesmo problema de Zona Norte/Oeste, onde a migração privada é menor e o sinal reflete subinvestimento real. A lista completa em Bairros prioritários traz a separação por mecanismo.